Eutonia/SP

Zuleide Besse

Não podemos falar de expressão se não falamos das emoções. Como disse Henry Wallon “Toda emoção tem por saída o tônus muscular”.

 

Sabe-se hoje que existe uma ligação direta entre a tonicidade e a vivência real, consciente ou inconsciente, entre o tônus e a atividade cerebral.

 

Cada mudança de consciência age no conjunto de tensões. Toda perturbação modifica não somente o estado do corpo como também o estado de consciência da pessoa .(Gerda A., pg22,1988).

 

Os dados científicos atuais mostram a existência de uma unidade fundamental da pessoa assim como as interações entre o homem e o universo aonde ele vive.

 

Toda agressão física, social, toda perturbação do equilíbrio do meio interno ou de tudo que esta a sua volta provoca de processos que se repercutem a todos os níveis da pessoa e risca de comprometer sua saúde.

 

O tônus se encontra em todos os organismos vivo. Ele  aumenta    na  atividade e diminui  no repouso. Sabemos que uma criança dormindo é mais pesada de se levar que quando esta acordada, no entanto o peso real é sempre o mesmo. 

 

As emoções são diferentes formas de excitação, o estresse, as depressões, estão em ligação intima com o tônus. O comportamento do nosso meio modifica também o nosso tônus.

 

 É importante que a pessoa seja o mestre do seu tônus e que possa resistir às influências que ela julgar nociva para o seu próprio equilíbrio.pg26 “Le Corps Retrouvé

par l’Eutonie”

 

Para cada tipo de contração nós temos as células nervosas e as fibras musculares que trabalham dependendo do funcionamento tônico ou cinético. Explicando:

 

- a função cinética trabalha em nível muscular as fibras brancas ditas cinéticas ou clonicas, no qual o tipo de movimento é o voluntário e a contração é mais rápida, mais forte, é fatigosa.

 

- a função tônica trabalha em nível muscular com as fibras vermelhas ou tônicas, o tipo de movimento é reflexo, menos rápido, menos forte  e menos fadigoso.

 

A importância do contato na regularização do tônus

 

Fazendo uma consideração entre o tato e o contato segundo o livro de Eutonia de Gerda Alexander; pelo toque nós vivenciamos a experiência da delimitação do nosso organismo, nossa forma corporal exterior. Quer dizer, o tocar nos possibilita as informações essenciais sobre o mundo a nossa volta, suas formas, sua temperatura, sua consistência e sobre as enumeras sensações vindas do exterior, tais como pressão, choques  etc. A mesma coisa na comunicação com os outros, tais como o tocar carinhoso, doce, dolorido, bruto, indiferente ou agressivo.

 

Pelo contato nós vamos conscientemente além do limite visual do corpo, (o fenômeno do contato já foi medido com o dermatometro do Pr Regelsberger (Siemens), pelo Pr Steitz de Munique), e pelo toque nós ficamos na periferia da pele. Pelo contato nos incluímos dentro da nossa consciência todo espaço que esta em nossa volta. E por isso que podemos ter um contato real, sem tocar, com as pessoas, os animais, plantas e objetos.

 

 O contato consciente tem mais influencia que o tocar, no que concerne as mudanças no tônus e na circulação. O contato dos pés no chão, o contato das mãos nos objetos como, por exemplo, a modelagem e a pintura que harmonizam as tensões emocionais.

 

O contato é normalmente utilizado na vida. Um músico se faz um só com o seu instrumento. Uma mãe tranqüila flui entre ela e o seu bebe esta corrente positiva. A ansiedade de uma mãe é manifestada pelo nervosismo e gritos do bebe. Entre duas pessoas em contato o nível do tônus tende a se igualar. Segundo o estado tônico de cada um o fluxo de energia pode ser benéfico ou perturbador. Podemos desenvolver e reforçar o contato e o tato pela pratica.

 

Trabalhar o contato, o tato e o conhecimento da importância do esqueleto, músculos, pele. Pretende atingir uma organização de noção do corpo espaço – temporal do EU, buscar conhecer o corpo nas suas relações consigo mesmo, com o outro e com tudo que lhe circunda.

 

Transformar o corpo num instrumento de ação no mundo, um corpo vivido, integrado e orientado no espaço e no tempo, aberto a modificações e ao dialogo com objetos e com o outro.

 

Na concepção global e unitária e evolutiva do Ser humano, a organização motora não pode ser separada da organização psíquica; e esta não é dissociável do mundo exterior, da realidade, da situação e do conjunto de estímulos sensorial. Na medida em que é na ação que o ser humano toma consciência de si próprio e do mundo.


Referência Bibliográfica

 

Gerda,  A. "Le Corps retrouvé par l'Eutonie" Ed.Tchou ,1988.

 

 

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